Vivendo em Budapeste


26 de agosto de 2019
às 17:45

Tudo começou com um: “Ah, vamos ver no que vai dar!“. Um ano depois, cá estou eu, morando sozinha, em um país até então completamente desconhecido por mim, iniciando uma nova fase profissional, tendo que lembrar de pagar as contas no final do mês, ouvindo uma língua super estranha todos os dias e, mesmo assim, vivendo a melhor fase da minha vida. Tá bom, talvez seja um exagero dizer que é a melhor fase, já que ainda tenho muita coisa para viver, não é mesmo? Mas, o importante é que hoje me sinto feliz e completa como nunca me senti antes.

É estranho colocar em palavras algo tão abstrato como a felicidade. Mas, para mim, felicidade é me sentir independente e saber que é possível ter um futuro sem ter que carregar o peso do mundo nas costas. É sentir que cada dia é uma nova oportunidade de conhecer países, pessoas e culturas incríveis. Felicidade para mim é me sentir em movimento. E um ano depois do “Ah, não tenho nada a perder mesmo…“, cá estou eu, encontrando a minha felicidade há 9.796 km do Brasil, em Budapeste.

É óbvio que nem tudo são flores porque o medo dos NÃOs (não dar conta, não se adaptar, não ser aceito e não conseguir administrar o salário) é grande. Além disso, as chances de virar uma pequena bolinha rolante são altas, já que vou viver de fast food. Infelizmente isso tudo faz parte e vem junto no pacote assim que você dá um check no term and conditions da vida. Viver é sentir esse medo e mesmo assim seguir em frente.

Nossa, lembro como se fosse hoje do nervoso que senti quando assinei o meu primeiro contrato de aluguel. Para quem não sabe, a língua oficial de Budapeste é o Húngaro e a moeda é o Florint. Faça uma pesquisa básica no Google para sentir o capeta que é essa língua! Não dá para entender absolutamente nada! E a moeda? Super desvalorizada e cheia de zeros! Eu sou de humanas gente, então essa brincadeira não é para mim. Mas enfim, lá estava eu, assinando um contrato de dois anos (um comprometimento mais sério que um namoro! 😂), falando pelo Google Tradutor com o dono do apartamento e pensando: “Meu Deus, será que as coisas serão magicamente pagas?

Pois bem, as coisas não se pagam sozinhas! No primeiro mês, o aluguel é pago adiantado e as contas chegam no final do mês. Até aí, OK! Paguei o aluguel de fevereiro e perguntei ao dono do apartamento: “E as contas? Como que faço para pagar?

Ele me respondeu com um: “Isso a gente vê depois…

Meu querido! Depois não, depois eles cortam a minha luz e aí? Fico no escuro!

Mas deixei passar e ficamos de resolver isso “depois“.

O tempo passou até que chegou o dia de pagar o aluguel de março. Combinei com o proprietário um dia e entreguei o dinheiro. Ah sim, aqui poucas pessoas usam transferência bancária e os aluguéis são pagos em cash mesmo. Na mesma ocasião, perguntei novamente das contas e ele me disse: “Vou te mandar.“.

Aí meu coração respirou aliviado. Estava tudo lindo, já que ele me daria as contas e eu não iria acabar ficando sem luz ou gás. Mas o tempo passou e nada dele me responder. Logo chegou o aluguel de abril e nesse momento, eu já estava tendo um ataque de nervoso. Com isso, perguntei novamente: “Meu querido, cadê a conta?

Então, ele teve a pachorra de responder: “Ué, você ainda não pagou?

Olha, não foi um momento fácil. Minha vontade era de perguntar se ele estava de sacanagem com a minha cara, mas como que o Google iria traduzir isso?! E se o cara quisesse me colocar para fora do apartamento? Tive que manter a serenidade e fazer a plena.

Com isso, ficamos uma hora tentando nos comunicar, até que ele me levou na caixa do correio e finalmente me mostrou as contas. Depois separou todas que deveriam ser pagas e foi embora.

Daquele dia em diante eu me dei conta de como a comunicação seria difícil e de que novos desafios ainda estavam por vir. E quer saber? Está tudo bem! A gente sofre na hora, mas aprende e dá muita risada no final. Hoje em dia, quando lembro dessa história é só isso que sei fazer, rir muito! 😃

Luiza Parente na Ponte da Liberdade em Budapeste.
Postado por Luiza
Formada em R.I. tentando uma vida nova com aventuras diárias em terras húngaras.

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